Os 5 princípios do Budo – Zanshin

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Foto: Ricardo Yukawa

“A percepção é forte e a visão é fraca. Em estratégia, é importante ver o que está distante como se estivesse próximo e ter uma visão distanciada do que está próximo.”- (O livro dos Cinco Anéis).

Zanshin é um termo japonês que refere a um estado mental que o budoka busca durante sua prática marcial e suas atividades cotidianas. Zanshin é um conceito do Budo traduzido como “a mente que permanece”, remete a um estado de constante vigilância frente às ameaças e desafios do dia-a-dia e de busca, no que diz respeito ao desenvolvimento espiritual, físico e técnico.

Trata-se de um estado de máxima concentração na realização do que se propõe a fazer e, em tudo o que esta a sua volta. O budoka coloca-se em extremo alerta, concentrado em tudo o que ocorre, ele esta em kamae (preparado) pronto pra tudo.

Durante o treinamento sempre ouvimos o nosso sensei dizendo “não percam o foco, mantenham o zanshin” e eu, pelo menos, sempre me perguntava sobre o que seria este zanshin? Hoje tendo investigado um pouco mais sobre sua essência, pude ver o quanto é importante estar alerta as situações que ocorrem a nossa volta. Durante o treinamento ao realizar um kata, um kihon e demais técnicas que pertencem a prática, devemos demonstrar em cada uma delas o máximo do nosso foco e concentração, pois tudo se trata de estar preparado. Estar em zanshin dentro de um dojo não é só no momento do treinamento em si, mas desde a hora que você entra. Zanshin é uma atitude de preservação e busca por uma perfeição quase inalcançável que deve ser realizada com afinco pelo budoka.

Quando digo budoka me refiro automaticamente a todos os praticantes marciais que seguem o budo enquanto filosofia, trata-se do kendo, kyudo, judô, iaido, aikido e karatê-do, dentre outras. Todas seguem os princípios do budo e, com certeza, os mestres fundadores ou mantenedores dessas artes marciais aplicam o conceito de zanshin nos seus treinos, transferindo aos seus alunos esses ensinamentos. Contribuindo para a formação completa de seus alunos, unindo a prática incessante do rígido treinamento do budo com a filosofia, para uma construção moral e técnica significativa.

Essa constância e esse alerta são de, certa forma, relaxados onde o praticante se permite estar atento, porém flexível as mudanças e inconstâncias que os desafios nos oferecem. Trata-se da capacidade de nos pormos a frente de uma situação, antevendo o que pode acontecer e se precavendo a isso. No mundo de hoje as pessoas são “aceleradas” pelo pouco tempo que dispõe para realizar suas tarefas e, são poucas as que param para observar o que acontece a sua volta. São ansiosas pelo futuro que está por vir, ficam desesperadas pelos erros que podem ou não acontecer e acabam por esquecer de viver o presente, o hoje.

Devemos nos manter alertas as nossas atitudes, alertas ao nosso pensamento, a nossa constância. Somos o que buscamos ser e o que nos preparamos para ser. Para sermos bons budoka temos que procurar a harmonia e fluidez em tudo o que nos propormos a fazer. Se vamos lutar devemos nos concentrar no ato de lutar, tirando o proveito de cada mínima situação para aprender e amadurecer. Na luta e na vida não existem caminhos fáceis e as dificuldades servem para nos fortalecer e nos manter no caminho da busca pelo aperfeiçoamento.

Referências:
Zen Buddhism
Kenshosan