Namoro no Dojo

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Em qualquer lugar estamos sujeitos a nos apaixonar por outra pessoa, principalmente quando há bastante convivência e algumas afinidades, então, um dojo não estaria fora dessa regra. Durante os treinos é importante estar totalmente focado nos ensinamentos do sensei e no desenvolvimento de sua própria técnica. Já antes e depois do treino, é comum conversar com os companheiros e essa amizade pode se expandir para fora do dojo. E dessa amizade pode surgir o amor. Afinal, namorar pessoas do mesmo dojo é algo bom ou ruim?

Talvez o primeiro problema que vem à mente seja: se eles terminarem, provavelmente um deles irá abandonar os treinos. A verdade é que todo relacionamento que você cria com as pessoas ao seu redor tem consequências boas e ruins. Uma briga entre amigos, um desentendimento com alguém durante o treino pode fazer com que um deles abandone o dojo da mesma forma que um término de namoro poderia causar. A questão que fica é se o karatê é mais importante para você do que a mágoa e o quanto você está disposto a treinar mesmo assim. Cada caso é um e vai de o praticante decidir qual é a melhor opção (por exemplo, mudar o horário do treino pode ser uma boa escolha).

É importante separar o que acontece no treino e o que acontece fora do dojo. Demonstrar sempre cordialidade com seu parceiro, mesmo que momentos antes vocês tiveram algum desentendimento. Parece bem difícil separar os dois, pois culturalmente nós demonstramos bastante nossos sentimentos. Por exemplo, no dojo, às vezes chamo o Wellington pelo nome, pois tenho dificuldades para chamá-lo de sensei ou senpai justamente por causa da convivência. E, às vezes, a forma de nos comunicarmos acaba sendo em um tom mais pessoal, de brincadeira, do que impessoal.

Mesmo assim, namorar com alguém que pratica karatê acabou tendo mais pontos positivos do que negativos. É possível sempre treinar juntos, acompanhar a evolução um do outro e sempre apoiar quando houver inseguranças. Gosto muito quando o Wellington somos parceiros de treino em kotekitai, bunkai e até no jyu kumite, pois ele sempre me ajuda a melhorar e desenvolver minha técnica. E foi justamente essa nossa paixão por karatê que gerou uma série de conversas, pesquisas, a vontade de descobrir mais e escrever sobre isso. Assim nasceu esse blog.

Amar alguém é realmente como praticar uma arte marcial: é um longo caminho de aprendizado. É aprender a entender outra pessoa, respeitá-la e querer que os dois cresçam juntos, algo que vai exigir muita maturidade e equilíbrio. Talvez, por nós dois sermos karatekas, percebo que muitos dos aprendizados no dojo são aplicados no nosso relacionamento.

Pesquisei em alguns fóruns de artes marciais americanos e grande parte das opiniões era sobre namoro no dojo ser algo ruim. Talvez até seja por conta de algumas consequências como brigas e términos que podem influenciar o desenvolvimento do treino. Mas, como eu disse para o Wellington certa vez: “Namoro é igual jyu/shiai kumite, você sabe que vai se machucar, que vai levar socos, chutes, que pode perder ou vencer, mas só vai saber se tentar. Se perder, veio aprendizagem, o que já é algo a ganhar”.