A Imigração Japonesa e o Karatê

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“Karate-do wa kakoro migaku. Karada wo kitaeru. Soshite yuye kina shakaejin o tsukuru”.
“Aperfeiçoar a alma. Treinar o corpo para ficar forte. Desta forma, se tornar útil para a vida social”.
(Shinzato Sentei)

 

Por conta de um tratado com o Japão, o qual estava com um alto índice demográfico, no dia 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru chegava ao Brasil trazendo 793 japoneses com o objetivo de trazer mão-de-obra para as fazendas de café em São Paulo e no Paraná. Essas famílias foram distribuídas em seis fazendas paulistas e precisaram passar por um longo período de adaptação para tentar diminuir a saudade de seu país de origem. Com muita luta e enfrentando o preconceito, os japoneses e seus descendentes se estabilizaram no Brasil trazendo uma cultura riquíssima que se mistura com outras em nosso país. E foi desse intercâmbio que o karatê também veio junto com os navios que cruzaram o mundo.

MitsusukeHarada alemdotatame - A Imigração Japonesa e o Karatê
Sensei Mitsuke Harada

Em 1956, o sensei Mitsuke Harada criou o primeiro dojo na rua Quintino Bocaiúva, no centro de São Paulo. Ele iniciou o treino de karatê em 1943 no dojo da Shotokan em Tóquio com o sensei Genshin Hironishi e, posteriormente, após seu dojo ser destruído na Segunda Guerra Mundial, passou a treinar com Gichin Funakoshi e também com Toshio Kamata. Sua vinda ao Brasil foi por causa de uma vaga de emprego no Banco América do Sul, quando era 5º dan. Por conta do seu gerente e alguns companheiros de trabalho se interessarem pelo karatê, ele passou a dar aulas em uma escola de judô. Com a permissão de Funakoshi, ele abriu a escola brasileira de Karatê-do Shotokan. Logo vários outros sensei abriram as suas como: Juichi Sagara em São Paulo; Yasutaka Tanaka e Sadamu Uriu no Rio; Higashino em Brasília e Eisuku Oishi na Bahia.

SeiichiAkamine alemdotatame - A Imigração Japonesa e o Karatê
Sensei Seiichi Akamine | Créditos

Um nome forte também na introdução do karatê no Brasil é Seiichi Akamine. Nasceu em Naha, Okinawa e é de uma família de descendentes de samurai. Seu avô ensinou karatê Shorin-ryu a ele desde muito novo, mas, posteriormente começou a praticar Goju-ryu e com o sensei Seko Higa, um dos principais alunos do sensei Miyagi. Após conseguir o 8º dan, ele se mudou para o Brasil com sua família buscando melhoria de vida e também para introduzir as artes marciais na América do Sul. Começou a trabalhar como fazendeiro e professor de karatê no Paraná, o que não deu certo por conta da falta de caráter dos alunos. Então, se mudou para São Paulo, criou a Associação Brasileira de Karatê-do em 1959, mas acabou deixando a associação por problemas políticos. Somente em 1962 ou 1968 (dependendo das fontes), ele decidiu criar uma nova escola, a Ken-Shin-Kan, a qual não somente deu certo, como se espalhou para a Argentina, Paraguai, Estados Unidos, Espanha e Austrália. Ele também é o precursor do kobudo (arte marcial que utiliza várias armas como nunchaku, sai, bo, tonfa, entre outros), o qual teve como mestre o sensei Shinko Matayoshi.

YoshihideShinzato alemdotatame - A Imigração Japonesa e o Karatê

Quanto ao Shorin-ryu foi o sensei Yoshihide Shinzato quem trouxe o estilo para o Brasil. Teve vários mestres como Anbum Tokuda e Choshin Chibana (karatê), Sokon Itokazu (judô) e Akamine Shikan, Katsuyoshi Kanei e Masahiro Takamoto (kobudo). Ele veio para o Brasil em 1954, segundo ele próprio, “em busca de aventura”. Começou trabalhando em lavoura e ensinando karatê a jovens da colônia japonesa. Em 1962, ele fundou em Santos, a Academia Santista de Karatê-do do Brasil e também funda a escola Shin-Shu-Kan de Kobudo. De estatura baixa, ele mostrou o quão grande era seu conhecimento e vontade de praticar e ensinar karatê.

Esses foram os principais sensei que ajudaram a espalhar o karatê pelo Brasil, possibilitando que outros estilos surgissem e que o conhecimento se difundisse. Por conta da imigração japonesa, o contato com a cultura passou não só a ser dentro do dojo como também fora, em diversos eventos culturais, kaikans (organizações japonesa) e na convivência com os descendentes. É sempre importante buscar as nossas raízes, mesmo quando se trata de karatê e mesmo não tendo nenhuma descendência japonesa. Procurar conhecer mais sobre os sensei dos nossos sensei é absorver o passado e empregá-lo no futuro do caminho marcial.

Obs: Para conhecer mais sobre a imigração japonesa no Brasil, acesse este site ou leia um dos meus livros favoritos: Nihonjin de Oscar Fussato Nakasato.

Referências:
www.karate-do.com.br/sensei_seiichi_akamine.php
www.kenshinkan.cl/bio_akamine.htm
www.karatejaguaribe.com.br/historia/karate-brasil/
www.karate-do.com.br/sensei_yoshihide_shinzato.php